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13 set

Observações e anotações do rolê central por propulsao // Post salvo em Sem categoria

No Centro da cidade muita coisa acontece. Tem gente de toda a parte e de todo o tipo, envolvidas também com uma variedade de atividades. O rolê de ontem (12/09) tinha um propósito simples: ir de bike até o Centro, sentar em algum lugar, olhar tudo à volta e anotar num caderninho as observações e os pensamentos que vinham à mente. O relato, coletivo e cru, que resultou foi este:

Um rapaz vendendo azedinho (bala). Interessante, ele tinha o mesmo nome que o T., só que com um “L”. Passou um cara na praça Santos Andrade que sempre vejo na R. São Francisco, ele parece que mora na rua, sempre me pede dinheiro e cigarro. Moças lindas. Vi várias pessoas correndo para pegar ônibus, pois entrará em paralisação. No passeio público tinha senhores de idade jogando baralho etc. Trabalhadores, crianças, cachorro, bicicletas, bailarino, regente de coro, pessoas em situação de rua, velhos, ipês amarelos, estudantes… Vi os cara fumando um baseado e fiquei com vontade de fumar. Os “hóme” já passou e não enquadrou. Tristeza, mágoa, lembrança que não quero revisitar. Tá chovendo. Eu fui tirar foto da pichação e o cara que cuida de carro não gostou. Cheiro de comida. Vou fazer risoto hoje. Aquele cachorrinho parece um morceguinho. Meu sonho de consumo (carro). Feira do livro? Senti falta dos meus primos. Não gosto de filhinho de papai. Nossa! Jurei que era um piá! Costuras. Que cheiro enjoativo! Paço da Liberdade. Muitos pombos, pessoas sentadas na sombra, prostitutas, traficantes e moradores de rua. Moradora de rua tratando de seu cachorro. Ela ganhou um refri, abriu, tomou e deu um gole para seu cachorro. Pessoas conversando, pessoas passando com celular, com animal. Vi a G. com cara de cansada. Vi os “dingos”. Vários velhos andando. Têm mais autonomia que os jovens. Os jovens só sentados bebendo. Casais de mulheres e tudo quanto é tipo. Prostitutas. Cadeirantes. Show da Karol Conka hoje às 18h30. G. tropeçando em todo o mundo. As menininha ficaram em choque comigo pensando que eu ia roubar elas. Aquela ali mora perto de casa. Eu dormia aqui antes (calçadão da XV, em frente a uma loja). R$ 280 um corta-vento da Nike! Cabelo roxo + olhos azuis. Sinto falta de roubar uma grela. “Ela disse que não é de comer” (criança com pote de leite condensado). Duas mina, parecia ser da China, com cabelo liso. Vários carrinhos de pipoca. Como é que fala? Transexuais. Artesanato feito à mão. Vi uma mulher só que era um homem. Aqueles dois carinhas lá de cima vão cair. T. encantado com a pichação. Fotografou. Programação do cinema do Paço. O L. viu um cara gay e não gostou. Queria ver se ele muda o estilo de pensamento.

Incrível, não? O quanto um par de hora é o suficiente para atentar à diversidade de pessoas e coisas que convivem conosco todos os dias, para julgarmos e sentirmo-nos julgados, depararmo-nos com algumas contradições, lembrarmos de situações de nossas vidas pessoais, rotular e pôr à mostra os nossos preconceitos ao mesmo tempo em que sofremos tantos outros, dar nomes distintos às mesmas coisas, ter opiniões diferentes sobre um mesmo assunto, poder questionar ou rever nossas opiniões a partir dessa troca, expor ignorâncias e aprendizados…

Um passo foi dado: pensamentos foram materializados em palavras. Agora que estão no papel, podem ser revistos, receberem uma segunda atenção, podem ser conscientizados. Que avancemos mais este passo: problematizemos; construamos o conhecimento no coletivo! Para que olhemos o mundo e a nós mesmos com outros olhos. Para que possamos nos abrir a outros modos de sentir, pensar e agir. Para ver um dia o mundo novo, em que todos – sem exceção – tenham vez.

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