o que é?

O que é e a quem se destina

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A Política Nacional sobre Drogas prevê ações que incluem o eixo prevenção-tratamento e reinserção para os casos de uso abusivo de álcool e/ou outras drogas.

O Centro Social Marista Propulsão é uma das 26 unidades da Rede Marista de Solidariedade e se constitui um Projeto de Média Complexidade dentro das diretrizes das políticas de Assistência Social e Saúde, promovendo atendimentos gratuitos a adolescentes (de ambos os sexos, entre 14 e 18 anos incompletos) que estiveram ou estão em tratamento por conta do uso abusivo de álcool e/ou outras drogas e encontram-se em situação de vulnerabilidade social.

Nosso foco é a reinserção social ou, em muitos casos, a invenção de novas formas de inserção social – daí a opção pela grafia “(re)inserção”. Há em nossa metodologia um forte hibridismo com as ações pautadas no direito de cuidado em liberdade, tal qual previstas no Sistema Único de Saúde e na Rede de Atenção Psicossocial, e também com ações de educação não formal.

 

PROMOÇÃO E DEFESA DE DIREITOS: 

No eixo de promoção de direitos, atua na garantia do Cuidado em Liberdade – tema em voga quando algumas Comunidades Terapêuticas e/ou clínicas privadas são flagradas violando o artigo 5º, inciso III, da Constituição (dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos), quando versa que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante” –  além de promover ações por meio de atividades externas, oficinas expressivas ou atendimentos individuais que contemplem o Direito à Vida e à Saúde, Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade e Direito à Convivência Familiar e Comunitária previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

No eixo da defesa de direitos, buscamos através de ações, como os Seminários Propulsão e os Espaços Transversais de Estudo, e através de representação em fóruns, como a Comissão de Direitos Humanos de Curitiba, que o entendimento sobre a metodologia de Redução de Danos e as políticas públicas vigentes para a juventude e abordagem às drogas possam ser alvo de reflexão constante.

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Critérios de inserção

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Recebemos para triagens jovens de ambos os sexos, entre 14 e 18 anos, encaminhados de diversos órgãos, como:

Saúde

  • atenção básica: Unidades Básicas de Saúde, Estratégia de Saúde da Família, Consultório na Rua, etc.;
  • atenção secundária: como os CAPS AD;
  • atenção terciária: egressos de internações em leitos hospitalares.

Assistência Social

  • CRAS, CREAS etc.

Outros dispositivos:

  • Conselho Tutelar, Comunidades Terapêuticas, Poder Judiciário, Escolas, ONGs e procura espontânea.

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Avaliamos e discutimos como critérios após as triagens com o adolescente:

  • O contexto do uso nocivo e/ou abusivo de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas;
  • A situação de vulnerabilidade social em média complexidade (como eminência de rompimento com núcleos familiares, situações que expõem o adolescente a riscos, etc.);
  • Desejável o tratamento em alguma esfera da saúde.

Confecção da faixa: 'Quem pensa com razão não aceita a redução"

Nossas ações são em horário comercial, mas também temos disponibilidade para atividades eventuais nos fins de semana (externas ou na sede do Propulsão).

Nossos públicos

Atendemos até 24 adolescentes inseridos por encaminhamentos de diferentes instituições e compreendemos que esses jovens são nosso público-alvo, ou, como gostamos de definir, nosso público primeiro. 

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Mas também entendemos que o nosso público segundo é composto pelos familiares e pela rede comunitária e social por onde o jovem transita, pois, se contribuímos para as conquistas desse jovem, certamente contribuímos para que conquistas na família dele aconteçam.

E vice-versa: por vezes, a única forma de acessar esse adolescente é ofertar espaços qualificados de escuta e troca aos núcleos familiares.

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Nosso público terceiro é composto pelos trabalhadores das instituições por onde o adolescente transita ou transitará; de nada adianta encaminhar um jovem às aulas de desenho, por exemplo, se não estivermos dispostos a acolher as angústias do professor que lidará com determinada demanda que, por vezes, pode lhe parecer estranha ou atravessada por valores morais, entendimentos construídos a partir das leituras do senso comum ou mesmo desconhecimento.

Assim, atender e entender o momento desse trabalhador (e desta instituição com suas peculiaridades) é tão crucial como atender e entender a demanda desse adolescente e do seu núcleo familiar.

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Duração e frequência

Quanto tempo um adolescente permanecerá no Propulsão? Quantas vezes por semana ele precisará vir?

Essas são questões que variam conforme o caso. Por isso a necessidade de elaborar PLANOS SINGULARES DE ATENDIMENTO.

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Para muitos adolescentes, a estada no Propulsão será curta: eles se encontram em relativa distância do uso de álcool e outras drogas, possuem habilidades para lidar com grupos que podem ser interessantes no mercado de trabalho e continuam com a manutenção de seu tratamento em unidades de saúde.

Casos como esses exigem cuidados para que o esse processo siga com fluência.

Outros jovens, entretanto, ainda precisam lapidar suas habilidades para estar em grupos e saber se portar em entrevistas profissionais, ou necessitam retomar os estudos, por exemplo.

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Para esses casos, investimos em atendimentos individuais, oficinas e atividades que, em um primeiro momento, almejam trabalhar com a vinculação desse jovem entre seus pares e com os profissionais da equipe.

O PLANO SINGULAR DE ATENDIMENTO prevê que alguns casos estejam em acompanhamento conosco durante 3 ou 4 dias da semana, em período integral; outros adolescentes poderão ter a maior parte das atividades externas; e outros poderão vir ao Propulsão apenas uma vez por quinzena, para acompanharmos como anda o novo trabalho, o novo curso.

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Uma das etapas do projeto “ocupação afetiva da cozinha” previa a customização das nossas cadeiras. Ficaram bonitas, não?

Uns permanecerão conosco por três meses.

Outros precisarão estar aqui por um ano.

É outra forma de dizer que cada pessoa tem seu tempo e que, para casos tão delicados como esses, o tempo “serial” ou “predefinido” talvez não sirva da mesma forma para todos os adolescentes.

Nossa proposta é ter abertura para discutir isso com cada jovem: quanto tempo você acha que precisa estar aqui? Quantas vezes por semana? Que tal combinar essa frequência durante duas semanas e depois voltarmos a conversar sobre isso?

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Métodos e olhares

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Mandalas realizadas na oficina de grafite (detalhe).

A Redução de Danos é definida na Política Nacional de Atenção Integral ao Usuário de Álcool e Outras Drogas (Ministério da Saúde – 2005) como um método – no sentido de um caminho a ser percorrido – para que o sujeito em uso abusivo dessas substâncias vá conquistando gradativamente uma distância maior em relação à droga.

Nem sempre essa questão é resolvida com a abstinência: muitas vezes o trabalho de redução de danos é fomentar ações que emancipem o sujeito não só do uso da droga em si, mas também do estigma que esse uso causou em sua vida.

Nesse sentido, a redução de danos pode ir além da abstinência, propondo outros paradigmas de identidade: ao invés do rótulo de um “ex-usuário de cocaína em recuperação”, que tal o rótulo de “aprendiz de culinária” ou “recém-casado com Luciana”?

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Exposição de latas vazias de tinta spray ressignificadas, de autoria de um dos adolescentes do Propulsão.

Sabemos que o caminho para a conquista da distância do consumo de determinada substância é único (mesmo aos que nunca experimentaram droga alguma) e volátil, além de, sobretudo, estar associado às demandas de consumo de uma forma geral em nossa sociedade contemporânea: há dependentes de ter sapatos, e isso envolve compulsões tão vorazes quanto as que têm os dependentes de sexo ou de curas milagrosas; há, igualmente, dependentes de afeto que têm compulsões similares aos adictos de álcool ou remédios estabilizadores de humor.

Entendemos como métodos ou olhares praticados pela equipe multidisciplinar do Propulsão a construção de alternativas para a elaboração simbólica e vivência afetiva que possam, em alguma medida, concorrer com esses comportamentos ou circuitos aos quais o sujeito está submetido: pode ser a elaboração dos conflitos da adolescência através de conversas informais com os colegas da equipe; oficinas de culinária, atendimentos aos seus núcleos familiares, atividades com grafite ou passeios de bicicleta.

Pode ser também um sorriso, um afago, um lugar para tomar banho ou para ouvir uma música (ainda que seja o funk).

Enfim: pode vir a ser.

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Adolescentes em uma das atividades externas: ocupar espaços públicos enquanto sujeitos de direitos é nosso foco para (re)inserções.

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Detalhe de área do Propulsão.

(RE)Inserções

Gostamos de grafar (re)inserções, pois entendemos que, no caso de vários adolescentes atendidos, não se trata simplesmente de reinseri-los onde estavam até o momento que tiveram problemas com álcool ou outras drogas.

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Em boa parte dos casos, trabalhamos para literalmente inaugurar inserções: muitos desses sujeitos de direito estavam desarticulados dos acessos aos quais qualquer cidadão deve ter direito: saúde, lazer, esportes, cidadania, etc.

Em outros casos, nossa operação concentra esforços em algo que está aquém das reinserções, e ainda aquém de que possamos inaugurar inserções: trata-se da instauração de deserções, especialmente dos adolescentes em envolvimento intenso com o tráfico de drogas.

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Entendemos a reinserção social como uma etapa complementar pós-tratamento por uso abusivo de álcool e outras drogas, mas também reconhecemos sua potência enquanto grande catalisador do tratamento: muitos jovens têm mais motivação para se distanciar das drogas quando conhecem “outros baratos” que uma visita ao museu pode proporcionar, ou  percebem o valor que o trabalho agrega em sua vida, ou reconhecem-se em atividades com grafite em uma oficina do Propulsão, por exemplo.

Não há um mapa que mostre a direção única para todos os jovens: cada caso merece a própria cartografia. 

Reinserções, inserções e deserções são ações que, em última análise, dialogam com o direito à cidade em sua leitura mais abrangente.

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Equipe

Nossa equipe multidisciplinar é composta por:

 James Kava, Thiago Gava, Ana Marcia Antunes e Camila Moro – educadores sociais

Rudinei Nicola – coordenador pedagógico

Rosineide Lourenço – auxiliar de higienização e limpeza

Altieres Frei – gestor

Vanessa Tauscheck – psicóloga

Cecilia Geymonat – assistente social

Bruna Henkel Proceke – assistente administrativo

Eliane Souza – assistente administrativo (interina)

estamos por aqui!

Estamos por aqui!

Perguntas Frequentes

+ O Centro Social Marista PROPULSÃO é um lugar de tratamento para dependência química?

Não. O Centro Social Marista é um local que almeja potencializar as ações de (re)inserção social do adolescente em situação de vulnerabilidade socioeconômica que, em algum momento de sua trajetória, fez uso abusivo de álcool e outras drogas. Nós não dispomos de equipe clínica, tampouco temos leitos de observação ou acolhida. A ideia é o Propulsão ser um espaço complementar a esse processo. Mas entendemos também que muitos jovens que conseguem um emprego, um curso legal ou mesmo uma namorada estão com um “gás” maior para se cuidarem. Nesse sentido, entendemos que o Propulsão é um catalisador também do processo de tratamento do sujeito.

 

Nas oficinas de grafite algumas paredes funcionam como "lousas" para testes e criação livre.

Nas oficinas de grafite algumas paredes funcionam como “lousas” para testes e criação livre. Vez ou outra precisamos “apagar a lousa”.

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